quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Facebook: sensacionalismo e falta de senso crítico?

O Facebook, como vocês devem saber, é uma das maiores redes sociais do mundo e apresenta hoje a maior procura de acesso pelos usuários entre as mídias sociais. Fundada por Mark Zuckerberg em 2004, nos últimos anos a rede vem se destacando e assim se tornou um dos maiores patrimônios na internet. O valor de mercado para a rede social é de US$ 66,5 bilhões (o.o) e só em 2011 a meta é alcançar lucro de US$ 1 bilhão.

Hoje também sabemos a importância da internet e das mídias sociais nos ambientes de informação, e todas as suas vantagens em relação a notícia, conhecimento, etc etc etc. Com um espaço muito amplo, a internet cresce e abrange espaços para coisas muito importantes e também para assuntos e coisas desnecessárias... O que não deixa de ser segredo para ninguém também.

Pois bem... Eis um caminho no qual as mídias sociais e os usuários vem se direcionando com certo fervor: o sensacionalismo.
Para quem não entende o que é SENSACIONALISMO: Significado de Sensacionalismos (sensacional+ismo) – 1. Caráter ou qualidade de sensacional. 2. Tendência a divulgar notícias exageradas ou que causem sensação. 3. Filos Doutrina ou teoria de que todas as ideias são derivadas unicamente da sensação ou percepções dos sentidos.

A terrível utilização desse tipo de mecanismo para conseguir audiência em diversos veículos de informação. Agora a vez é do Facebook... Os usuários que utilizam a rede para demonstrar sentimentos desprovidos de argumentos com fundamento e também para mostrar sentimentos exagerados.

Fotos de crianças mutiladas, cachorros abandonados, opiniões preconceituosas, machismo exagerado, falta de informação, uma seta no avatar apontando defeitos, pensamentos, qualidades, blablabla diversos outros exemplos. Sei que as redes são livres e de espaço para expressão, porém acredito que os movimentos estão indo para o lugar errado.

É óbvio (pelo menos para mim) que uma das piores características do ser humano é criticar algo que não sabe ou que não conhece direito (não me excluo dessa característica, muito pelo contrário).
Por exemplo no meu caso, opinar sobre a ocupação da Rocinha. Se isso de fato vai ser bom para os moradores, se isso vai ter resultados pacificadores para a comunidade, etc etc etc. Prefiro não opinar pois, para quem tem conhecimento e sabe alguma coisinha de contexto histórico do Brasil, vai saber que algumas das principais mídias estão fazendo de tudo para mostrar a eficiência da ocupação e como os moradores estão tão felizes e esperançosos com a medida. Sendo que a realidade é outra, o buraco é mais fundo.


Notei que na Folha, eles fizeram uma entrevista com um morador que não estava tão otimista com a situação, tendo em vista que era o traficante "Nem que distribuía cesta básica, pagava aluguel, distribuía diversos direitos, etc. Foi o único veículo que li (nãoooooo li todos!) que mostrava a situação de outra maneira. Na folha eles analisaram o contexto e na minha opinião, conseguiram manter a imparcialidade.

Bom, aonde quero chegar? Vamos lá... Relacionado com o post anterior sobre mídias que manipulam opinião pública... Hoje podemos perceber que as opiniões sensacionalistas estão indo parar direto nas redes sociais. Ou seja, o que vimos na TV acreditamos como verdade absoluta e isso tudo vai parar, usando o exagero, como VOMITO de informação nas redes sociais.

Um exemplo muito claro foi a manifestação dos estudantes da USP. Só vi gente reclamando de "maconheiro" "playboy" "revolucionários de merda" "mimados tem que apanhar mesmo" BLABLABLA. Entendi a revolta de alguns, mas de outros fiquei preocupada.


Com tamanho espaço de pesquisa e liberdade para tal, será que as pessoas ainda têm certos pensamentos antigos e sem nenhum contexto real? Será que elas não se questionam a notícia de fato? Será que não percebem que rola um jogo de interesses?

Uma menina que adora encher a cara e fumar cigarro "mais que não sei o que", fala mal de maconheiros da USP no Face... Dizendo que um bambo de playboy gosta de lutar por coisas idiotas. Qué dize, não estou tentando desmerecer ninguém, mas o mínimo que ela podia fazer é se questionar sobre drogas. Nunca vi ninguém morrendo de overdose de maconha, mas em compensação o álcool é uma das principais drogas que levam a diversos modos de mortes todo ano no Brasil. Mas em resposta, ela deve responder que maconha é contra a lei. Pelo amor!!!!!!!!!!!!

Será mesmo que o sensacionalismo chegou nas redes? Onde está o senso crítico?

É muito fácil reclamar que o Lula vá fazer tratamento de câncer no SUS, ou que os estudantes da USP maconheiros sejam presos. O difícil mesmo é apoiar um movimento que mude a situação atual do nosso país. Desculpa, mas manifesto ao meu entender é programar um objetivo, seguir e atuar no caminho dele e não APENAS opinar seus argumentos.

Lógico que existem muitos manifestos e declarações que mudaram algumas coisas graças as redes sociais. Por exemplo, como uma foto de uma pessoa desaparecida ser encontrada após sua divulgação. Como um cachorro que ia ser morto, conseguir um abrigo para morar. Etc. Porém, acredito que algumas pessoas elevam isso a um sensacionalismo tão barato que chega a doer.

Acredito muito no potencial das mídias na internet, e sei também que tem várias pessoas que a utilizam visando uma conscientização dos demais. Pois infelizmente, tem muita gente desinformada.

Um espaço para opiniões diversas? Sim, o facebook é isso. Acontece que temos uma grande arma nas mãos e não utilizamos com propriedade. Podemos mudar situações diversas com manifestos com FUNDAMENTO, sem se apropriar de sensacionalismo, de exageros e fotos desnecessárias, comentários impertinentes, opiniões lavadas.


Talvez seja hora de idealizarmos um movimento contra a utilização de dinheiro público para abastecer bolsos de políticos corruptos. Movimentos para melhoria da saúde e de educação principalmente. E não chorar pitangas sobre assuntos mastigados das principais mídias. Talvez seja hora de criarmos senso critico e nos perguntamos... Será mesmo que isso é verdade?

Não que eu queira direcionar o facebook para um centro de manifestos, contudo, ao invés de postarmos coisas banais, “SÓ” coisas desnecessárias ou outras com tanto exagero errado, devemos usar para repassar informação, opiniões com bons argumentos, informações que nem todos sabem aonde procurar, ou questionar.
Repassar conhecimento, sem exageros, e com compromisso com a verdade. Pois o objetivo, o manifesto disso tudo é informar, deixar as pessoas conhecer o que nunca conheceram. Questionar o que está errado, mas entender de fato o que causou aquilo. Questionar e lutar para mudar. E lutar com o poder das palavras, com o poder de um click!

1 comentário:

  1. Tá escrevendo bem, nega. Parabéns, tá uma semi-jornalista!

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