quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A doença da boa imagem

Acabei de assistir o documentário "Muito Além do Peso" da Estela Renner. E faz um tempo que eu queria escrever que tenho sobre qualidade de vida e peso. Essa coisa de imagem. Vou contar com as minhas próprias priorisobre a sensação grotesca dades, já que não é questão de ciência aqui, e sim um simples relato do que sobrevivo.

Eu me lembro muito bem quando fui chamada de gordinha pela primeira vez. Todo meu mundo se transformou num pedaço de merda. Afinal, não era isso que eu queria ser. Eu queria ser artista, televisionada, atriz. E as mais belas atrizes eram magras! Às mulheres mais bonitas e sexys do mundo eram modelos magras na década de 90. Então todo o meu desejo era me transformar numa celebridade fanática e absurdamente linda = MAGÉRRIMA. 
Lógico que algumas coisas mudaram. Eu não quero mais ser celebridade, não quero mais ser atriz... Mas uma coisa de fato nunca mudou.... Nunca fui magra. Desde que me conheço por gente tenho uma bunda grande, tenho as sobrinhas um pouco acima do quadril, tenho pernas grossas. Enfim.
Chega a ser até meio humilhante para mim abrir esta conversa, porque por mais que meus sonhos tenham mudado, a vontade de ser magrinha sempre me dominou. É como se fosse um pote de felicidade inalcançável que eu JAMAIS poderei ter. E gente teimosa é assim!

É incrível como vai e entra ano, (assim como muitas outras mulheres) eu começo com a minha promessa predileta: "Este ano vou emagrecer". De fato, até emagreço uns quilos ao longo do ano, mas consigo recuperá-los em seguida. Dai vem o efeito SANFONA, tão odiado e penoso para nós mulheres, que tanto almejamos a boa aparência.  
Observando e fazendo um auto estudo, sempre tive este desenvolvimento. Engordar, emagrecer, engordar, emagrecer. Contudo, nos últimos anos o engordar anda ganhando. Assumo que os motivos para comer porcaria vem de muitos lugares, muitas razões. Sou ansiosa, nervosa, estressada (como todos sabem). 

Entretanto, desde que virei vegetariana, algumas coisas mudaram. Hoje em dia, apesar de ainda comer as porcarias super calóricas, como muita verdura, muita salada, sucos, etc. SÓ QUE, como meu consumo de bebida alcoólica e tabaco também aumentou, ficou meio difícil compensar a má alimentação. ~anta~


Enfim. Me lembro bem do dia que me chamaram de gordinha e de como aquilo devastou meu mundo. Aquilo me dominava... ainda domina. Toda vez que alguém me chama de gordinha ou gorda, eu quero arrancar meus pulsos e morrer. Quero me acabar em lágrimas e nunca mais acordar.
Com 15 anos eu sofria ataques de pânico devido a isso. É sinceramente ridículo, mas eu me lembro que uma vez estava sofrendo dores no estômago e uma amiga da minha mãe veio ver meus olhos e disse: "Tania, sua filha está com anemia".

Aquilo foi a maior felicidade que eu poderia ter em um dia comum. Na minha cabeça, aquilo poderia dizer que FINALMENTE eu poderia ser magra e esbelta. Ossos e mais ossos. Pernas finas. E durante um bom tempo aquilo me consumiu (como ainda consome). ~Novamente essa frase~

Lembro que com uns 17 anos, assisti o documentário "Thin" (Magra - 2006, HBO) que falava sobre as garotas que tinham distúrbios alimentares. Eu tinha pena das meninas, mas de fato o que eu mais queria era ser igual a elas... magra. Eu queria muito ter aquela doença, apesar de todos os males que foram mostrados, o que eu queria era ser diagnosticada "Abaixo do peso".

Sinceramente, toda esta minha doença mental sobre imagem nunca me atingiu de fato na saúde. Atingiu até um tempo, mas pouco, como disse de fato nunca fui magra. Já cheguei ao meu peso ideal, mas nunca fui magricela. O motivo acredito que seja pela minha formação familiar. Apesar dos pesares, e de todas as minhas crises, sempre tive meus autos de me adorar e adorar meu corpo como ele é. Admito que isso está envolvido pelo que minha família e amigos me diziam. Era difícil eu me erguer sozinha e me sentir o máximo. Muitas pessoas me ajudaram! Hoje em dia estou com problemas no estômago e rim. Acredito que, além de cigarro e álcool, seja minha alimentação baseada em carboidrato e o sedentarismo. 


Agora... recentemente ando observando como a mídia e toda a publicidade anda aumentando a espaço para os gordinhos. Fazendo séries, propaganda, desfiles PLUS SIZE, etc. Criando efetivamente o contrário do que era imposto nos anos 80 e 90. A aceitação das gordurinhas e, consequentemente, o desejo pelo corpo "cheio" de curvas. Logico que o ideal ainda é ser igual uma Juliana Paes, mas algumas outras coisas estão mudando.

É obvio e comprovado que ninguém 'sobre o peso' é saudável, muito menos a magreza excessiva. Entretanto, por que agora a pregação da nova ditadura da beleza é: Bonito é ser gordo (?).

Não gente, isso não é bonito. E a questão não é nem de beleza, mas sim, de saúde.

Não gente, magreza não é bonito. E a questão não é nem de beleza, mas sim, de saúde.
A questão toda não é o aceitar ser o que você é e sim, cuidar da sua saúde!!! CACETE!

Afinal, o que querem da gente? 

As mulheres de fato são as que mais sofrem com isso. Porque se tu for gorda demais, o cara te larga. Se não for gostosa o suficiente, não vai ter seu número naquela linda calça que você quer comprar. Se for muito magra, os olhos se entortam, te ofendem de palito, etc.

A questão da obesidade, como relata o primeiro documentário que citei (Muito além do peso), aumentou drasticamente, afetando nossas crianças e matando muito mais que homicídios. Sim gente, obesidade mata. Gordurinhas podem te trazer doenças piores. 

Afinal, a pergunta certa seria... O que você quer de você mesmo(a) ?



Com certeza viver. Como no filme "Garden State" (Hora de Voltar) cita: "I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got. "
Pois é, a vida é tudo que temos. Desejamos viver do melhor jeito possível, ou seja, saudáveis. Sei que destruímos a nós mesmos, porém chegada a hora de fazermos diferentes. E digo isso até como próprio conselho para mim mesma!
Sempre me questionei sobre o por que vivo estressada, ansiosa, triste, pesada. Oras, a alimentação influência nisso SIM. Alimentar é seu modo de viver. Sem comer você não vive. Mas se comer tanta merda, com certeza não vai viver também. Apesar do que dizem!!!
Chega de buscar algo que não nos sirva e nunca irá. Porque na realidade, é o que a indústria quer. Que você seja um consumidor insatisfeito e infeliz, para sempre comprar mais e mais e mais. E correr atrás de algo que não te pertence. Chegado ao ponto de você mesmo destruir sua própria vida (sua única prioridade) e morrer mais jovem. E quem quer morrer jovem, na realidade? (Deixando os pensamentos suicidas para trás) kakakaka.

Por que hoje a cultura está mudando e o gordinho está se tornando bonito?! Simples. Eles querem que você continue consumindo Junk-food mais e mais e alimentando um sistema cruel e desastroso de lucro.

São muitas outras coisas que nos influenciam, contudo, indo parte por parte, processo por processo, separando cada parte de si mesmo para que enfim, consiga junta-las... É importante nos conhecer, sozinhos. Não deixar influências definir o que você é capaz de ser. Se permitir abrir a mente e conhecer! Escolher uma opinião. Afinal, são diversos modos de opinião.
E a minha frase final é: Preciso emagrecer 7kg. Não por estética, e sim, por saúde! É difícil acreditar, mas é preciso aprender um dia (e eu vou aprender). Além disto, mudar hábitos alimentares e também hábitos de melhorar a auto-estima sem depender de uma MERDA de sociedade.

Ps: Sugiro à todos que assistam os dois documentários:
Do "Muito Além do Peso" eles disponibilizam online: 
http://www.muitoalemdopeso.com.br/

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