terça-feira, 13 de maio de 2014

Neste lago das almas, eu perco todo o medo


Esse ano foi o primeiro ano que ganhei flores. No meu aniversário de 24 anos. Ganhei flores das minhas melhores amigas da faculdade. Aquilo realmente me tocou como acredito que deve. Simples, fácil e generoso. Minha mãe sempre falou: "Dê flores aos vivos, porque aos mortos não se vale mais nada." E é verdade. Mães geralmente estão certas com suas frases, mas essa frase me tocou um pouco mais.

Fiquei pensando em todos os momentos atuais da minha vida e notei o quanto estou individualista. Mais do que necessário e além do que jamais quis ser. O quanto o egoísmo muitas vezes é tão exagerado que nos cega por tanto tempo, que somos incapazes de notar a veracidade dos nossos atos. As consequências!

Eu que tanto erro e costumo ser intolerante a eles, vi que tudo isso estava me impregnando de uma forma auto-destrutiva. Cada vez mais que viramos esses serem egoístas, mais estamos afastados das pessoas que amamos e que queremos estar perto. Nada nem ninguém pode discordar disso. Acredito que ninguém nesse mundo vive sozinho!

Mas por que andamos tão solitários, afinal? Para quem vive aqui, sabe a luta de leões que enfrentamos todos os dias. No nosso trabalho, na escola, em casa, no trânsito, na rua... Em qualquer lugar! Tudo é questão de luta, raiva, ódio dentro desta cidade louca. Não é de se surpreender. Estamos aqui, vivendo para tentar ter uma vida melhor, mas será que de tanto lutar estamos de fato conseguindo viver?

Onde a cada mar de ego com uma postagem em facebook, com cada treta no busão por qualquer motivo, por qualquer desentendimento familiar, ou no trabalho.. estamos realmente vendo o que nossas atitudes podem causar? E causar além de nós mesmos, mas para o próximo? Para nossos irmãos, para cada pessoa que também luta para ser algo, ter algo...

Penso: vocês sentem solidão? Vocês sentem que as pessoas ao seu redor se sentem solitárias? Outro dia vi uma menina tão nova chorando na rua. O motivo jamais vou saber, mas senti o sofrimento dentro de cada lágrima. E olha que engraçado, apesar de todos nossos problemas, todo mundo quer alguém por perto nessas horas. Então, por que tanta discórdia em cada pedacinho de ar que respiramos? Fiquei com medo de perguntar e ser invasiva. Pois é isso que sentimos... Medo de estar próximo. Medo de ser simples. Medo de não pertencer a alguém. Medo de ser incapaz, de não ser feliz, de não viver. Medo de desperdiçar tempo. Medo de sermos humanos... Que para mim é ter sentimento. Ter a consciência. Unir a razão com a emoção, e tentar buscar um equilíbrio.

Talvez seja exagero, mas vejo as pessoas não confiarem mais, não desejarem o bem e não participarem mais. Inclusive eu. Isso tudo pode ser trágico e que volta a minha premissa inicial... O simples pode ser feito a qualquer hora, a qualquer momento, a cada minuto que não te custa absolutamente nada. Ser grato por isso! Parar de enxergar apenas suas dificuldades e partir para o reconhecimento de um bem maior. Maior do que qualquer outra célula a mais na carteira ou um sapato no armário.

Paremos de pensar que cada um tem o que merece; todos temos humanização dentro de nós, não temos? Nos excluirmos do papel de "ser humano" na sociedade. Somos seres egoístas em busca de mais egoísmo. Deixe-se voltar a permitir sentimentos. Permita-se ao bem e ao amor. Para o seu bem e para o bem de todos que você gosta.

Não é fácil! É difícil... ainda mais quando estamos tão cansados. Cansados de tentar e não ter. Não é fácil ver a maldade, tanta maldade, e não querer jogar tudo pelos ares. Querer que todos se fodam! E cada um tem um lado bom e um lado ruim, mas que nós sempre busquemos a voltar ao lado bom. Que seja a partir daí, que paremos de sermos egoístas e tão mesquinhos com tudo e todos.

Tento aprender!

Que sempre me permita a acreditar em mim mesma e principalmente acreditar nos meus iguais. Nada, mas nada será válido quando morrer. Apenas a sua lembrança de uma vida sem arrependimentos. Uma vida composta e cheia de pessoas que te ensinaram, que te amaram, que te fizeram rir e chorar. E, por fim, ser grata a cada coisinha simples. "The little things... there's nothing bigger, is there?"