segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Neste momento eu quero me permitir alegria (desconectada)

“Sometimes I think I have felt everything I’m ever gonna feel. And from here on out, I’m not gonna feel anything new. Just lesser versions of what I’ve already felt.”

O avanço tecnológico, as redes sociais, aplicativos novos, programas novos... Diversas plataformas e ferramentas dentro desse mundo louco que é a internet/informática. Já não é a primeira vez que essa discussão vem parar na minha cabeça. Já até tive uma experiência que já compartilhei com vocês aqui no blog sobre ficar uma semana sem Facebook. Até conversei isso com amigos recentemente, e semana passada assisti o filme Her (2013).

Sinopse roubada do Filmow: Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o fim de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.
Detalhe que o sistema operacional tem o nome de "OS", o que me lembrou iOS. ¬¬

Toque uma música melancólica
"Toque uma música melancólica"

Já comentei por lá que esse filme é absurdo de tão próximo que está conosco. Para quem não assistiu, pode ficar tranquilo que não vou dar nenhum spoiler (odeio quem faz isso). Mas achei esse filme inteligentíssimo e bem parecido com meus medos sobre inteligência artificial. Logo me vem Matrix na cabeça... mas deixa isso pra lá, se não fico falando de filme o post inteiro hahahha.

Já repararam como as redes sociais estão sendo a fuga para tudo? Uma amiga minha postou uma música e falou que estava mal dentro deste post. Ela é minha amiga, tinha intimidade o suficiente para perguntar o que tinha de errado. Na internet, ela não me disse. Falou que estava tudo bem, que aquilo era só uma música, mas enfim... Aquelas coisas que não insistimos. Senti um certo receio dela em se abrir comigo. Não sei se o problema era contar algo para mim, mas achei totalmente medonho ela falar na sua timeline que estava triste e não desabafar comigo. Isso não me deixou chateada, mas pensativa.

Será mesmo que estamos perdendo nosso contato com o mundo real? O mundo do toque, do olho a olho, das conversas longas por telefone, do amor sentindo e não falado? Já aconteceu comigo. Uma pessoa falar várias coisas na internet, no whatsapp e pessoalmente ela deixar de falar por medo ou qualquer outra coisa. Sei lá, por mais que todo esse mundo facilite várias coisas, isso tudo me deixa meio agoniada.

Só de pensar que estamos precisando de máquinas para falar sobre nós... Nossa!! Estamos precisando de meios dentro da internet para ter uma conversa, ou para falar sobre nossas tristezas, felicidades ou momentos. Afinal, será que não conseguimos fazer tudo isso pessoalmente? Em uma viagem, em qualquer boteco fulero? Será que precisamos de um aplicativo para conhecer pessoas?

Fora aqueles post eternos, escritos de formas meticulosas, falando sobre determinada posição. Seja ela política, social, pessoal... whatever. E na realidade, você sabe, conhece que a pessoa não é verdadeiramente aquilo. Mas dentro do mundo da fantasia que é as redes sociais, precisamos muito mostrar o quanto sabemos, o quanto somos, o quanto entendemos. Mudar de opinião não é um problema, mas "mostrar-se" sempre me causa uma náusea de gente moralista (kkk).

"O passado é só uma história que contamos para nós mesmos."

Quantas vezes fui em shows e vi no mínimo 200 pessoas com as mãos levantadas para tirar fotos do show INTEIRO!! Isso me deixa puta! Além de atrapalhar quem quer realmente assistir o show, você perde tudo querendo mostrar para os outros que você estava lá. Apenas penso que, porra, se está lá curte o show, tira umas fotinhas e pronto. O resto é você estar lá... Presente!

Agora falamos de sentimentos nas redes sociais. Praticamos o amor com curtidas e mensagens de textos. Não falamos mais aquilo que nos sufoca de ansiedade... Esquecemos. Pois, as coisas da internet são assim... rápidas, supérfluas e doidas.

Conversando com meu amigo Môa sobre isso, você já pensou como as pessoas faziam para se encontrar antigamente? Sem internet, sem telefone, sem celular? Meu pai me contando que tinha que ir em casa em casa perguntando do amigo que queria ver. E poxa, olha a treta hahaha. Mas gente, olha o verdadeiro significado do fato. Ele foi! Ele encontrou o amigo depois de muitas horas e conseguiu curtir o role. E eu sou meia doida com coisas espirituais e já acho que tem alguma coisa envolvida nisso, rs. Seja qual for o motivo, já se perguntou, como as pessoas faziam para se apaixonar antes dessas redes infinitas?

Tive minha experiência com o Tinder este ano e a única coisa que me fez perceber tê-lo, foi o quanto esse tipo de aplicativo é psicopata. Uma pessoa está a 2km de você, ela curte você, e pronto... MATCH. Meu Deus... o cara pode ser qualquer pessoa! Ou uma pessoa que tem diversas coisas em comum, foi em vários shows que você foi, vai nos mesmos lugares... e você só foi conhecê-la na base do 3G. hahahha

Eu vivo isso. A internet faz parte totalmente da minha geração. Desde os selfies, até as comunidades do Orkut que só entrava quem realmente PODIA entrar. Contudo, me sinto um tanto despreparada para aguentar um futuro dentro disso. Me sinto uma viciada compulsiva, porque já perdi e as vezes continuo perdendo, momentos muito melhores do que uma telinha de celular, ou uma curtida no facebook. Conheci tantas pessoas legais este ano; em trips, em bares, botecos. E não nego, que muitas pessoas legais conheci na internet também, mas não queria que isso virasse uma válvula de escape, não quero que vire meu principal meio. Não quero me aproximar disso e me desaproximar do real. Do verdadeiro olho no olho e no nervosismo da barriga. Dos desencontros e dos encontros.

Então, como prática para mim e para você também que está lendo este texto... Pratique o desapego com as redes sociais, internet, etc. Esqueçamos deste mundo e vivemos o que está próximo. Uma ida ao cinema, um boteco sem selfie, uma viagem sem curtidas e status do tempo bom (sol de raxar) que está fazendo. Foque em um momento apenas! Deixe a internet para não perder um contato e não para rastrear aquela pessoa que visualizou sua mensagem e não respondeu. Registre os momentos, sim! Mas faça diferente e revele as fotos daquela viagem linda que você fez com os amigos.

Não vire uma máquina. Não deixe a máquina falar por você. Aproxima-se! Fale pessoalmente, converse. Olhe no olho. Sinta as verdades, as mentiras. Use o intuitivo. Abrace sempre! Mate as saudades, beije, ame, toque.. sinta. Deixe algo em alguém, para alguém. O real somos nós que fazemos, mas não sinta o real por um sistema operacional ou por uma foto do instagram. Escute vozes no ouvido s2. E eu mesma vou tentar ter essa conversa com quem quiser pessoalmente num boteco bebendo uma breja hehehehe.

"Estamos aqui apenas por pouco tempo, e neste momento eu quero me permitir alegria."


PS¹: Me desculpem o post anterior totalmente bad. Prometo tentar não postar mais esse tipo de coisas hahahah
PS²: Assista esse filme. Te digo que terás uma ótima reflexão... e o final é lindo demais <3 br="">PS³: Me perdoem também pelos palavrões. kakaka

5 comentários:

  1. Sabias palavras, adorei o texto. Você traduziu com fidelidade nossos anseios e medo com o que nos cerca e mostrou com clareza a necessidade por dias mais sinceros....

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  2. Excelente texto, mas algumas coisas vejo de forma diferente ou concluo de outra forma, não discordo de nada, talvez por eu viver muito no mundo virtual, por mais que eu não desabafe em redes sociais, penso que os que usam a rede para expressar sentimentos, talvez não queira incomodar alguém no mundo real (por mais que incomode no virtual). Sabe quando se tem vontade de falar e falar e não ouvir? Acho que é mais ou menos isso, eu sou do tipo de pessoa que gosta de conversar pessoalmente, inclusive acho que incomodo demais algumas pessoas com minhas conversas "psicodélicas", queria eu conseguir manter um blog, ou até mesmo ficar postando indiretas, sentimentos, pensamentos e etc. Não consigo, acho que se todos tivessem pelo menos uma pessoa para confiar seus segredos e angustias, acho que seria diferente, eu gostaria de ter uma pessoa pra falar o que quiser, a hora que quiser e saber que a mesma esta me ouvindo e querendo ouvir, acho que não tenho essa pessoa, é por isso as vezes penso que estou enchendo o saco de alguém no bar, na rua, em casa ou numa casinha de sapê, rs.
    Acho que o virtual é válido quando é verdadeiro, é mais ou menos isso, concordo com tudo que você disse, mas vejo algumas coisa com outros olhos, talvez seja pq eu curto um pouco de fantasiar as coisas, um simples "estou com saudade!" se torna exatamente a frase que eu queria ouvir e muitas vezes por "coincidência", com o mesmo tom que eu gostaria de sentir, rs.

    Sobre o contato real, acho que o mundo se tornou tão defensivo que todos tem medo, eu por exemplo não pediria para conhecer uma pessoa, tipo:
    -Oi, meu nome é Andersen, qual o seu?

    Por um outro lado, eu adicionaria ela e diria:
    Oi, meu nome é Andersen, te vi ontem no bar, como não tive coragem de me apresentar, te adicionei =]

    (Ela com certeza iria me achar um idiota, mas enfim!)

    Vou assistir o filme, você me lembrou que eu já planejei assisti-lo. =]

    Parabéns pelo blog Thai =]

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    1. Será que você não tem essa pessoa para conversar por estar conectado o tempo todo? Sei lá Andersen, não acredito que eu tenha uma pessoa disponível para mim 24 horas por dia, ou que ela saiba todos meus segredos. O que importa é que eu consiga realmente falar algo ANTES de vir encher o saco na internet. Falar pessoalmente é outro esquema. E eu já senti isso, de perturbar uma pessoa falando das minhas coisas...
      Nem tudo é do jeito que queremos, usar o mecânico, tornar-se mecânico é o que me preocupa!

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  3. Eu sou um grande entusiasta das redes sociais, internet e vida digital. Sou fã e não consigo me imaginar sem, nem acho que precise.
    Ainda não vi Her, mas está na minha lista de prioridades. Quando passou no cinema eu não estava numa vibe muito boa e sabia que vê-lo ia só piorar. Não que esteja 100% agora, mas já estou bem melhor.
    Eu costumo discutir com quem argumenta dessa forma, de que as redes sociais são uma fuga, contra argumentando o fato de que as redes sociais são feitas por pessoas. Se há algo "errado" em alguma delas, culpe a mensagem, não o mensageiro. Se nós estamos usando as redes sociais de forma errada, não é culpa dela, mas nossa.
    Eu sou não sou obrigado a compartilhar o que como, onde vivo, o que faço, mas é disso que é feito nossa necessidade de atenção. É com isso que alimentamos nosso ego, admitindo ou não. Quando eu, você, ou qualquer outra escreve, é esperando que alguém leia, correto? Se você fala um pouco mais do que devia em um post, a culpa não é do blog, é sua, que decidiu se abrir mais do que devia.
    O grande problema das pessoas é confiar mais no anonimato, na indireta, do que no ombro amigo, na amizade verdadeira. Hoje, números contam mais do que abraços e isso não é necessariamente ruim, é apenas um fato sendo apontado.
    Quer ver um exemplo prático disso? Como não é a "internet" que está destruindo nossas relações?
    Você já foi em algum evento de Anime? (se nunca foi, fez bem). As pessoas precisam de incentivo pra interagir. Precisam de intervenção de uma placa, pra poderem começar uma conversa. Eu não sou ninguém pra julgar, porque minha timidez dificilmente me faria chegar em alguma garota que eu ache incrível no meio da rua ou em uma livraria, por exemplo. Mesmo que ela desse algum tipo de abertura, eu ficaria extremamente nervoso e duvido muito que fosse até ela pra me apresentar ou comentar como aquele livro que ela está lendo é incrível. Eu sei que cada dia mais deixo minha felicidade passar por causa da timidez. Quantas dessas garotas que sorriram pra mim não poderiam estar com o segredo da felicidade pra mim? Nunca vou saber.
    Meu irmão costuma dizer que na internet não é "Meio termo". Ou você ama ou você odeia. Se um clipe é ruim, ele não é só um clipe ruim. Ele é o pior clipe já feito por toda e qualquer banda em 100 anos de história da música. Ninguém acha nada "mais ou menos". Ou é muito bom ou é um desastre. E é nisso que estamos nos pautando pra viver. As redes sociais mudaram nossa forma de agir. Vamos aos lugares para fotografar e mostrar que estivemos ali, não para curtir a companhia das pessoas e aproveitar. Hoje, uma foto não é um registro para uma lembrança futura, é um registro para mostrar para seus amigos como aquele passeio foi incrível. E nem sempre o passeio foi incrível, mas quem vai admitir isso, né?
    Acho que o que você está propondo a si mesmo é a melhor coisa a se fazer. Corrija você primeiro, antes de julgar qualquer pessoa. Revire o seu interior. Largue de mão o Facebook ou 4Square quando for a um bar. Pare de querer registrar tudo em fotos e marcar todos no Instagram. Entenda que aquilo dali é pra ser presencial, não virtual.
    Acho que esse é o caminho para aproveitar melhor não só as amizades, mas as redes sociais em si.
    Parabéns mais uma vez pelo texto e pela reflexão.

    Um abraço.

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    1. Quando falei em forma de fuga, falei sobre a fuga de nós mesmos. E não culpo as redes sociais por isso, quem realmente as faz somos nós. A internet é um facilitador excelente que nós usamos de maneira meio que medonha as vezes. Compartilhando coisas ruins, falando merda, etc etc etc
      Todo mundo precisa ser sociável. Acredito que ninguém consegue viver sozinho. Por mais que a internet venha para aproximar contatos, acredito muito que o contato no olho a olho se perdeu. Estamos SIM deixando as redes falarem como se fossem nossa voz.
      A parte de se mostrar é outro fato... Algumas pessoas usam blog, outras facebook, mas veja... o Blog não te obriga você a ler. Diferente de você passar pela timeline e ver aquela babaquice (tudo bem que é possível o bloqueio, mas até ai vc já viu).
      Por exemplo: quando você compartilha um "Thaiane de Paula está se sentindo feliz". Isso tudo já mostra que a ferramenta é e está próxima de tudo que fazemos, construindo assim, a fuga de qual falei. Afinal, por que precisamos dela para falar sobre qualquer coisa pessoal?
      Eu, como também falei no posto, não julgo porque sou exatamente uma pessoa viciada nas redes. Gostaria de parar, porque nada em excesso faz bem.
      E não gostaria de ver um futuro onde viveria solitária com meu computador.

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