sábado, 18 de outubro de 2014

Além do espelho: sobre extremos e limites

Todo extremo é perigoso. Todo extremo é um precipício ao limite do ser. Sempre tive fascínio pelos extremos. Sempre gostei demais, sempre quis demais, sempre odiei demais, sempre fui demais. Sempre teve que ter algo "demais" na minha vida. Seja lá o que fosse. Um programa de televisão, uma banda, uma comida, alguém, alguma situação, algum momento. Fases, mas que acredito que chegaram ao limite e por isso passou. Não digo que não aproveitei... Aproveitei e muito! Existiu muitas coisas boas. Mas dadas asas a tamanho poder do "sem limites", do sem hora para voltar, ou do amanhã talvez o mundo acabe... o que acaba, de fato, é um pedacinho de mim.
A metáfora é simples. A todos os goles de café possível, na atual presença das noites mal dormidas. Porém, nunca apreciei café. Tenho gastrite. Mudança de gostos? Talvez. Ou uma mera ilustração do real fato que quero escrever.
Me vejo presa aos limites, rendida ao "sem pudores" e tentada ao errado. Ao que nunca quis para minha vida. Tentada a loucura. E desculpe ao socialmente considerado "são", rs, eu tenho caminhos antigos que já me levaram a quase loucura do desespero. Hoje ouvi uma música de João Nogueira, "Além do espelho" que vou compartilhar uma parte com vocês:

"Quando eu olho o meu olho além do espelho
Tem alguém que me olha e não sou eu
Vive dentro do meu olho vermelho
É o olhar de meu pai que já morreu
O meu olho parece um aparelho
De quem sempre me olhou e protegeu
Assim como meu olho dá conselho
Quando eu olho no olhar de um filho meu"

Todos esses meus extremos passaram... (Por Deus, obrigada!) E meu extremo da vez - o meu vício moderno - me fez pensar na minha família. No quanto deveria ser grata e consciente. Me fez pensar nas coisas que eles me ensinaram, no que me fizeram acreditar e na base que formamos sendo uma família. Ver que estou indo em direção contrária a toda a minha essência, me fez pensar nessa música com dor. Não quero falir. Não quero falhar. Com eles? Jamais. E apesar de toda a resistência, sim gente... os conselhos deles estavam certos. Sobre mim, sobre meus amigos, sobre minha vida. É meio vergonhoso e digo até precipitado em alguns aspectos e atrasado em outros. Antes tarde do que nunca? Sim! Tudo acontece no seu devido tempo.
O que aprendi no extremo do vício da loucura foi que meu desejo e anseio pela total veemência, me trouxe situações bizarras. Pois, atrai para mim o que desejei. Acontece que não vivo aqui sozinha, e talvez o seu extremo faça mal para mim. E vem, né?! Sempre vem. O mundão parece ser tão vasto, mas ele sempre volta. Aprender a valorizar isso, reconhecer o erro, aceitar o "não" é também uma conquista. Quero sair disso, não quero ser mais disposta a coisas erradas. Coisas que meus pais não me ensinaram. Não quero quebrar eu mesma o meu espelho. Não quero ver nele algo que não sou. Quero recuperar a força que tive para sair de todas as situações que EU MESMA entrei sozinha.
Cheguei ao limite pois, sei o que me agrada. Sei que pareço uma menina de 15 anos a procura de problemas. Inconsequente como uma garota que nada viveu de fato. Talvez me iluda sobre minhas atitudes de "adulta". Mas como diz minha terapeuta, sou uma jovem adulta a busca do meu caminho. Então, que torcemos que essa extremidade e intensidade seja também só mais uma fase.
Já falei sobre sonhos com vocês... e meu sonho sempre mirou em direção oposta ao que estou passando. Não quero seguir a onda, não quero ser parte desse ciclo de "se eles fazem, vou fazer também". Não quero fazer para me sentir descolada, moderna, parte da galera. Não quero poder não ficar sozinha. Quero reconhecer as pessoas boas com o olhar, coisas que sempre fiz. Quero atentar-me as pequenas coisas boas que nos cercam. E ficar atenta as ruins!
Tantos sinais que disfarço não ver. Pois, sim, sou viciada as mágoas e discórdias da vida. Me apego ao desespero por achar a felicidade demais para mim. Me apego a queda por achar que não consigo levantar. Mas, quando pequena, quando sonhava em ser grande... nunca quis isso para mim. Sempre quis mais. Conhecer os detalhes, por exemplo, de uma cidade que nunca conheci. De uma história, de um livro, de um filme... de uma pessoa.
Não quero extremos, pois extremos são dolorosos. Acabam com sua mente. Te dominam, te corroem. E nada em grandes quantidades fazem bem. O extremo me feriu, mais uma vez. A dor da fragilidade. O suspeito chegou por onde menos esperava, como sempre. Feriu minha integridade. Mas sim, meu Deus... vai passar. O extremo dividiu minhas condutas. Me fez acreditar que tudo isso é normal. Não! Não pelo que aprendi. Não pelo que sei. Pode ser certo para alguém, mas para mim, ser certo é outra coisa.
O doce dilúvio de sentimentos. Intensidade a cada respiração. Tudo isso parece lindo e fascinante no início. Tanto que você segue a busca de mais. Procura quem te faz mal. Insiste em você mesma se ferir. Mas se for muito fundo, você pode se afogar. Eu me afoguei, porém não tão fundo.Ainda consigo nadar, mas preciso ir agora. Apenas porque sou assim... sentimental demais para ter isso. Predisposta a querer sempre mais. 
Mas eu cansei! Preciso pensar em mim, na minha base, nos meus ensinamentos e nas minhas atitudes. Pensar na minha família que são os únicos que estão sempre comigo, não importa o que aconteça. Sinto demais, mas agora quero dormir tranquila, com minha total aceitação ao sistema. Aceita que dói menos. Não virarei revolucionária jovem para mudar o mundo. Agora quero mudar somente a mim, apenas pensando nos meus ideais.No que não me fere. Procurando meus sonhos, despertando mais. A vida as vezes bodeia, mas como sou energia (também demais) atraio muitas coisas. E não quero mais atrair coisas ruins. Quero viver bem. Quero viver na iluminação! Chega de escuro, de sombra. Quero claro, quero sol, quero vida. Mas sem caos, sem usar o "sem limites". Quero apreciar. Quero cair apenas de paraquedas.
E a dica é: Aprecie sem precisar perder. Aprecie sem extremos. Aprecie, meu querido, cada detalhe e percebera que essa coisa de extremos são bobagem. E o mais importante, pode ser atraído, apenas com gestos. Apenas com pequenas coisas... little things.

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