quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Não há tempo

Estou esgotada do tempo. Do tempo que me leva, que não traz e que não aparece. Do momento não tido, da vida passada, do tempo não reparado. Da vida tão sem tempo. Dos horários marcados, da digital registrada, do banco de horas, da vida passada. Existe banco de horas para a vida? Existe banco de horas para viver? Quantas horas sobra para eu me ter?
Estou apavorada com o tempo. De tudo que passou, das coisas que não vieram, das coisas que vieram até demais, do tempo corrente, das mudanças do tempo. Da vida sem tempo. Do tempo todo estar com mais medo. Do tempo todo exigir cada vez mais de mim e pouco do meu ser.
Estou assustada com este novo tempo. Com pessoas preocupadas com tempo e eu contando o tempo. A vida depositada em 24 horas para durar. Em semanas para aproveitar, em meses para descansar e anos para sonhar. Não há tempo! Não há horas para durar, nem semanas para aproveitar, muito menos meses para descansar e anos para sonhar. A vida é um susto. O tempo é amargo. Não há tempo!
Estou farta de tanto tempo. Tempo de não ser grata e de não me olhar. Tempo para o nada e o nada para o tempo. Não há tempo. Fugindo das responsabilidades que o tempo traz, eu só queria mais tempo. O chorar fica para depois, pois não há tempos para sofrimento. Você deve ser feliz. A toda hora, a todo momento... Em todo tempo!
Não há tempo para isso. Não tem tempo para ser intenso.
Não há crise, não há vida, não há intensidade. Existe tempo de sobra para críticas, para brigas, para desconfiança... Mas não há tempo para ser o que é de verdade. Ser o que é em cada tempo. Hoje uma, amanhã outra. Mas tudo em seu tempo.
O meu tempo já acabou?
A angústia chega, pois o tempo chega. A vida que listei a cada tempo, não houve. 26 anos... Corre o tempo. As horas chegam. Acontece algo. Aos passos lentos, mas ao mesmo tempo corre. Você deve ter paciência com o tempo.
Não há tempo, mas é necessário calma... Porque afinal: "Tudo tem seu tempo".

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