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Olhando o mar

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Ô mar que trouxe o amor para mim Há de vê-lo longe por mais tempo O dia se pôs e eu perdi o jeito Como um menino de frente pro medo Mas empolgado com o receio Ô mar que trouxe o calor pra mim Eis me fechada, parada no cais Esperando a onda encher meus ases Eis a terra firme para me subjugar incapaz Ó mar por que fazes assim? Tão singela e tão simples Me faz erguer sobre mim E eu me perder em ti Ó mar o meu desejo que o vento ouviu Trouxe de volta a promessa pra Senhor do Bonfim Recolocou no eixo o navio a afundar Mas nos mares distantes só o prazer encontrar Ô mar me fez sentir o fogo Das lenhas antes umedecidas, molhadas pelas águas dos céus E o vento secou e aflorou o ar deste calor Vindo de mim e de você Num infinito presente do estar no agora Apenas saboreando Essa deliciosa poesia de ser Ô mar... Tira esse amor de mim Não é ele quem me deu Não devo mais sentir o seu cheiro Pois o começo já teve um fim Ô mar, será que posso amar? Me diga se mere...

A rotina de um ansioso

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Tem dias que você acorda bem. Fica bem até chegar no trabalho, pois consegue tirar mais uma soneca no busão. Assim que chega, nem liga o computador e corre para pegar um café. No primeiro gole, queima a língua. Isso é o suficiente para acabar com seu "bom humor" matinal. Passa. Sobrevive. Liga o computador. Depois de 10 minutos, seu chefe lhe pede 500 coisas para fazer. Você inspira, procura organizar as coisas na cabeça, entra no Facebook, vê as notícias nos sites. Fica triste pela situação do mundo. Se desespera por não querer mais viver neste planeta. Procura uma música e acaba sempre nas mesmas por sugestão do Youtube. Passa. Vê os sites de entretenimento. Volta. Planeja, apesar da instabilidade dentro de você, tirar as coisas da cabeça e começar a trabalhar. Busca fontes, vê exemplos, se inspira. Têm ideias. Depois ouve comentários sobre notícias ruins, fica intolerante as diferenças. Volta. Se aborrece por estar ali. Queria estar numa praia. Sai para fumar. Fuma dois...

Perdoe-me

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A pior parte dentro do meu corpo é a consciência. Ela me cutuca e me sussurra todos os meus incômodos. A cada dia consegue me laçar uma corda no pescoço. Sufoca-me em meus próprios defeitos. Dolorosa a minha culpa e como esta consciência me traduz em um ser muito imperfeito. Asfixiada em mil pensamentos. Não consigo raciocinar, nem pensar friamente, calcular menos os danos ao meu interior. Culpo a mim mesma por tudo e capacito ainda mais este medo dentro de mim. E como explicar o que há dentro de mim? Pensamentos magoados que me importunam por não querer ser assim... Mas sou! Sou uma devedora de promessas, de palavras, de integridade... E por mais que conflite diariamente para escapar, sou presa e condenada das minhas reflexões destruidoras. Isso não é orgulho! Dói ainda mais em mim por falar. Por vezes a tentativa de me esquecer é justa e apropriada para o momento. Não há nada pior do que você se enxergar como próprio inimigo. Pensamentos atraem. Pensamentos tem força. E é você...