Ainda há algo mais
Sob a pele frágil de uma infância perdida, há feridas tão profundas que nem os olhos podem ver. Um eco de gritos e tapas ressoa nos corredores escuros do tempo, enquanto vidas escorrem como areia, escavadas pela negligência de mãos que deveriam ter sido ternas. É uma dança cruel, onde o amor deveria ser maestro, mas a melodia foi distorcida por notas de descuido. Queria poder tocar essas feridas e transformá-las em cicatrizes invisíveis, tanto nas crianças de ontem quanto na criança que ainda pulsa em mim. Carregamos nossas dores como pedras em um poço sem fundo, empilhando-as até que se tornem parte de quem somos. Crescemos, então, sob o peso delas, arquitetando ilusões de controle, acreditando em promessas de um amanhã mais brando. Mas, no fundo, somos alquimistas sombrios, destilando nossos próprios venenos, fabricando cenários que nos consomem pouco a pouco. A autoestima, nunca plantada no solo fértil da infância, é moldada pelo fogo do instinto de sobrevivência. Vestimos armaduras...