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Mostrando postagens com o rótulo mulheres de atenas

Carta aberta

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Querida Thaiane, Escrevo para você de um futuro onde as cicatrizes estão mais visíveis, mas o coração, mais leve. Escrevo para você que se perdeu em tantas dúvidas, que se olhava no espelho tentando entender o que em você não era suficiente. Foi por tantas palavras jogadas ao vento, por olhares que não te enxergavam, e pelo peso de um estigma cruel que você foi convencida a carregar. Quantas vezes questionei minha autenticidade, minha liberdade de ser quem sou? Me diziam para ser algo menor, algo que coubesse nos limites dos outros. Me chamaram de tantos nomes, me rotularam como desajustada, como uma mulher perdida por simplesmente existir. E eu, naquela época, aceitei. Aceitei porque, como tantas outras mulheres, fomos convencidas de que nosso valor depende de sermos validadas externamente. Ele entrou na sua vida como uma tempestade silenciosa, não te respeitou, não enxergou sua profundidade. Para ele, você era apenas uma pausa entre suas próprias inseguranças, um eco de seus desejos ...

A alma não tem data de vencimento

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Observando o que eu alimentava. De certa forma, meus desejos e vontades davam força a este ser. Era como se eu vivesse em cima de uma ilusão percussora deste alimento. Eu alimentava esta ilusão, este demônio foi criado por mim. Agora estou aqui cheia de mal uso. Como um produto velho e usado. Repassado de mão para mão. Passado de pau para pau. Vestida de meretriz como eles gostariam e transbordando limites, cascos e feridas. Tratada como um produto vencido. Jogada a nada como se fosse desprezível o que sou além deste corpo. Mas eu entendi o meu valor e o vício de desejos saciados... me levou de novo de frente comigo mesma. De fato o que eu quero? Por que quero? Será que eu realmente preciso disso? Para ocupar um vazio que eu mesma me alimentei? O vazio e a completude infinita de não pertencer a nada. Da magnitude de não ser permanente em absolutamente nada. O que dói é o uso do meu corpo como um monumento raro mas quebrado. O que se faz com isso? Ignorada, dispensada e em cacos. De...

Crua e pronta para jantar

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Opa, pode parar...  Nem começou e eu já quero passar Aqui não me preenche, porém eu tenho que falar  uma merda singela para você não captar Eu fico ali parada buscando acertar  aquilo que você quer ouvir Mas nunca serei capaz de agradar  a sua intenção de ir Que mundo perfeito seria se eu fosse aquela que te encaixa, né? Aquela que aguenta tudo calada, né? Aquela que faz o café, o almoço e a janta também, né?  O lanche tem que tá preparado e de quatro pra mais tarde, né? Aí a gente pira...  Também não é para mais... Porque só o carnal não me satisfaz E eu que a vida inteira quis ser perfeita Agora o que eu quero é sair dessa sarjeta Tô sempre arrumada falando educada... mas que bela moça Unhas feitas, dias perfeitos, sempre sorrindo mas que bela trouxa  Porque a gente fica lá remoendo e cabendo onde não é E a vida mostra na pior dor o que só se quer A moça cabou morou? Agora vem a doida Tô aqui pra incomodar  Porque se não for eu nem vou colar Se ...

Mergulhe

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A gente fica aqui tentando sentir algo para poder viver, e não apenas passar pela vida em branco com marcas que nunca existiram. Parece que nunca é o bastante. Nunca passa de um raso sentimento de próspera esperança de sentir e de amar. Chega a ser sufocante este fundo que me enfiei. Mergulhada em diversas expectativas, mas elas não podem ultrapassar a vontade. Elas não podem me ultrapassar na razão, que é rasa e que não preenche. Eis a fase do equilíbrio.  Viver custa caro! Viver e mergulhar me tira o ar porque foi assim que decidi viver. Porque não sentir é como não viver. Você não consegue dimensionar fora deste peito que bate apertado na ânsia de não parar. Mas ficamos aqui, meros acasos fechados em cercos racionais totalmente fora de padrões porque foi assim que deveria ser... ou não. Tanto faz. Se 'não sentir' é padrão ou não, para mim nunca foi normal não viver. Não ter diversas sensações e intuições gritando ao meu ouvido e mente. E por que não sentir? Porque dá trabalh...

Uma flor

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Uma flor. Arrancar de suas raízes, dói. Mas regada com amor, floresce. Os mais belos cheiros e folhagens. Admirada, contemplada, venerada. Regada com a forma sublime das gotas d'água. Ela também têm espinhos. Mas nem eles tiram sua essência. Sou rosa, sou vermelha, sou mulher... Crescendo em terreno fértil... Sentir a brisa do vento, nos caules bem plantados e nas fibras bem alimentadas. Mergulhar em águas saudáveis e também intensas das tempestades. Sentir as chuvas de verão em minhas folhas. Crescer. Viver a contemplar, emitir beleza, força e doçura. Onde estar. Arrancada dos seus próprios pés. Maltratada e pisada. Servindo a fantasiar egos... dói. Mas resisto. Respirar terras, sentir movimentos, cheiros e receber visitas dos pássaros. Uma flor. Observar camadas pétalas e seus formatos singulares. Sou rosa, que cresce e se transforma. Que há espinhos mas que adora. Que existe para emitir a sua criação. Que existe só para ser Uma flor.

Da mulher...

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Da mulher. De tanto amor que da, de tanto amor que quer. Da mulher. Aquece o coração... da a ele o que ele tanto quer. Da mulher. É de nós a cura, é de nós a vida, é de nós o amor. Da mulher. Chora, rasga, grita e se limpa, se livra da dor. Da mulher. Da mais a eles a sua sabedoria ancestral. Da mulher... Ensina, espera, colhe, ajuda, cria, alimenta, da mulher! Ser mulher é sim uma benção. Ser mulher é gerar, é criar, é entender... É esperar. Entender todos os ciclos. Já que acreditam que sentimento é coisa de mulherzinha... que seja. Que seja nosso o poder de sentir e distribuir. Sim! Distribuir o que temos de sobra dentro de nós. Dentro da geração, dentro dos segredos das nossas fases, dentro do inconsciente do nosso útero e dentro de todo nosso poder do coração. Distribui esse amor disfarçado! Da mulher. Distribui perdão, tempo, calma e paciência. Da mulher. Fala o que sente sim, fala tudo o que tem. Da mulher. Olhe as outras mulheres, aprecie a beleza delas. Da mu...

Desafio você a se amar

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Para quem acompanha as redes sociais, já deve ter visto a última corrente da vez. O desafio das meninas colocarem uma foto qualquer, sem maquiagem e (para piorar) sem filtro. Sem me surpreender, mais uma vez, vi comentários ridículos, situações bizarras e até coisas ofensivas para nós mulheres que sofremos constantemente com a cultura da beleza. Já escrevi sobre isso, mas achei propício o assunto e como sempre polêmico. Comentários machistas e nojentos, vindo de nós mesmas, mulheres que já passaram por alguma descriminação, ou qualquer coisa do gênero. Já reparou como nós (mulheres) criticamos a nós mesmas? Isso nunca foi segredo. Talvez a grande pergunta realmente seja por que fazemos isso. Já vivemos numa sociedade opressora, machista e etc etc etc, e ainda complicamos mais as coisas sustentando esses vícios de atitudes. Pois sim, fomos ensinadas a competir. Ensinadas a sempre querer mais que a coleguinha ao lado. E isso, por incrível que pareça, ainda está próximo no cotidiano ...

Mulheres de atenas

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Mulher que gosta de sexo é vagabunda. Mulher que não gosta de ter compromisso é puta. Mulher que é independente, que paga suas contas sozinha é mal amada. Mulher que não tem um relacionamento estável é encalhada. Mulher que não tem filhos é inútil.  Mulher que trai é vadia. Mulher que dá em cima de homem comprometido é vaca. Mulher mais velha que não é casada é frustada. Tantas e tantas outras formas de entender a situação que NÓS mesmas ainda nos colocamos. Não quero pagar de feminista, porque não sou. Tenho ainda todos os requisitos de uma mulher que quer se encaixar dentro dessas badernas todas. Mas fiquei pensando, em como nós mulheres, somos condicionadas a não ter opinião e nem vontade. É triste. Mesmo tendo essa evolução nos pensamentos das mulheres, a gente ainda vê, e muito, a parte machista dominando. Estou falando isso pela própria atitude de nós, mulheres... somos ensinadas a ser omissas. Por que mulher que fica solteira é encalhada? E o homem é ...