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Capítulo 23: A descida ao paraíso distorcido com fritas

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A noite era mais escura do que o normal, ou talvez fosse eu que estava começando a enxergar a vida assim — uma mistura de sombras e silêncios que se entrelaçavam, sem deixar muito espaço para a luz. Estava exausta, cansada de tudo. O trabalho, a família, os relacionamentos que se esfarelavam, como com o  Judas (porque não havia nome mais apropriado para aquele traidor). Meus olhos se fixaram no copo à minha frente, um convite para o abismo, e eu aceitei. Enchi meu corpo com tudo o que pudesse entorpecer os pensamentos: papel, majis, álcool, cigarro. Era como se eu quisesse apagar não só a dor, mas qualquer vestígio de mim mesma. O reggae soava distante, como se estivesse tocando para outra pessoa, em outro lugar. Eu comi muito pouco naquele dia, o que fez com que a mistura ficasse ainda mais potente, mais rápida. Meu corpo começou a ceder, e antes que eu pudesse perceber, fui ao banheiro do bar, tropeçando nas sombras que se formavam em minha mente. Agarrei a privada como se fosse...

Além do espelho: sobre extremos e limites

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Todo extremo é perigoso. Todo extremo é um precipício ao limite do ser. Sempre tive fascínio pelos extremos. Sempre gostei demais, sempre quis demais, sempre odiei demais, sempre fui demais. Sempre teve que ter algo "demais" na minha vida. Seja lá o que fosse. Um programa de televisão, uma banda, uma comida, alguém, alguma situação, algum momento. Fases, mas que acredito que chegaram ao limite e por isso passou. Não digo que não aproveitei... Aproveitei e muito! Existiu muitas coisas boas. Mas dadas asas a tamanho poder do "sem limites", do sem hora para voltar, ou do amanhã talvez o mundo acabe... o que acaba, de fato, é um pedacinho de mim. A metáfora é simples. A todos os goles de café possível, na atual presença das noites mal dormidas. Porém, nunca apreciei café. Tenho gastrite. Mudança de gostos? Talvez. Ou uma mera ilustração do real fato que quero escrever. Me vejo presa aos limites, rendida ao "sem pudores" e tentada ao errado. Ao que nunca q...