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Capítulo 23: A descida ao paraíso distorcido com fritas

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A noite era mais escura do que o normal, ou talvez fosse eu que estava começando a enxergar a vida assim — uma mistura de sombras e silêncios que se entrelaçavam, sem deixar muito espaço para a luz. Estava exausta, cansada de tudo. O trabalho, a família, os relacionamentos que se esfarelavam, como com o  Judas (porque não havia nome mais apropriado para aquele traidor). Meus olhos se fixaram no copo à minha frente, um convite para o abismo, e eu aceitei. Enchi meu corpo com tudo o que pudesse entorpecer os pensamentos: papel, majis, álcool, cigarro. Era como se eu quisesse apagar não só a dor, mas qualquer vestígio de mim mesma. O reggae soava distante, como se estivesse tocando para outra pessoa, em outro lugar. Eu comi muito pouco naquele dia, o que fez com que a mistura ficasse ainda mais potente, mais rápida. Meu corpo começou a ceder, e antes que eu pudesse perceber, fui ao banheiro do bar, tropeçando nas sombras que se formavam em minha mente. Agarrei a privada como se fosse...

A profundidade feminina

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Vê-la foi um sentimento de acuamento... Onde existia ali um pedido de sentir. Um pedido de desejo, um pedido de amor. Seu sorriso quando me viu foi instantaneo. Parecia que ela me via além daquilo. E eu a via além daquilo. Os amores se viram nos nossos olhos e sentimos uma afinidade profunda.  O amor feminino é diferente. Ele supera coisas além do não dito. Os olhares se falam mais que o toque; Os sentidos ficam obsoletos. O jeito é complexo, profundo. Não se sabe diagnosticar. Apenas sentir. A gente quer sentir sabe!? A gente quer jogar nossos caminhos em incertezas para ter a doçura do inesperado. Fazia dança com os olhares daquele que necessitava de um carinho de amor. E quem nunca? O amor desta mulher era pedinte e necessitado. Ao mesmo tempo, era dócil e gentil. Como se fosse puro e genuíno apenas um encontro. E foi... só é.  Eu podia ver todas as suas tragédias em seus olhos. Podia ver o quanto estava em reconexo com aquilo que foi esquecido dentro de si. Porque de fato,...

Arma de destruição em massa

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Agora tudo está em conflito. Todas as ideias, sonhos, conquistas, perdas, valores e princípios. Diante disso, me prendo em qualquer afeto que me é dado e esqueço o outro ser. Por puro egoísmo e fraqueza. Me agarro pois nenhum sentimento agora é concreto, apenas aquele momento. Os sentimentos florescem dentro de mim e se esvaziam tão rápido como chegam. O pequeno afeto que vira um borbulhão. Um onda de prazer e esperança. Que em breve vira desprezo e ilusão. Todos os sentimentos, raiva, carinho, desejo, desprezo. Tudo que bate com intensidade e se vai como se nunca tivesse existido. .A vida me trouxe situações e eu os transformei em problemas. Por escolha. Por medo de não tentar ou não fazer, ou até mesmo por não aceitar o "não superei'. Questões todas. E a humilhação me arrasta de novo. Me quebra e corrompe. No sofrimento a vontade de não desistir, mas com as mãos na lâmina. Tudo é confuso e ganancioso. Complexidade e ambiguidade. No meu ego quebrado e frág...