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Sufoco em lençóis de linho fino e largo

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Sufoco em lençóis de linho fino e largo. Fui vendida pelo diamante do sangue. Arrastada por essa Matrix que suga até a última gota, até o último suspiro de quem ainda insiste na ilusão do temporário — e na urgência de não desfrutar, nessa ignorância tão incrivelmente vestida de verdade. Estar aqui, na Terra, é calçar uma calça apertada demais. É prender o ar no peito pra caber no molde. É estar enforcada por dentro, içada por ganchos invisíveis, mexida até a última dor de existir. Mas... que vida é essa? A vida que só vê o brilho do ouro nos dentes, e não enxerga o que realmente importa. Jogada, amarga, completamente só. Só eu posso resolver meu pequeno e humano dilema. Enquanto tantos sangram por falta de um olhar, de um toque, de um “eu te vejo”. Em montanhas, tento alcançar a Lua — um desejo quase real, quase ridículo. Porque a maior ilusão é o sonho da Terra. E eu sei que, em outros paralelos, eu voo. Encanto flores. As árvores conversam comigo. Os pássaros canta...

Mergulhe

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A gente fica aqui tentando sentir algo para poder viver, e não apenas passar pela vida em branco com marcas que nunca existiram. Parece que nunca é o bastante. Nunca passa de um raso sentimento de próspera esperança de sentir e de amar. Chega a ser sufocante este fundo que me enfiei. Mergulhada em diversas expectativas, mas elas não podem ultrapassar a vontade. Elas não podem me ultrapassar na razão, que é rasa e que não preenche. Eis a fase do equilíbrio.  Viver custa caro! Viver e mergulhar me tira o ar porque foi assim que decidi viver. Porque não sentir é como não viver. Você não consegue dimensionar fora deste peito que bate apertado na ânsia de não parar. Mas ficamos aqui, meros acasos fechados em cercos racionais totalmente fora de padrões porque foi assim que deveria ser... ou não. Tanto faz. Se 'não sentir' é padrão ou não, para mim nunca foi normal não viver. Não ter diversas sensações e intuições gritando ao meu ouvido e mente. E por que não sentir? Porque dá trabalh...

O despertar

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"O pavor no ar desencadeou Pois o aviso foi tarde Hoje o orixá me pressagiou Vai haver tempestade Muitas outras guerras eclodirão A minha volta mil cairão Isto que você testemunhará A televisão não transmitirá" Foi na leve brisa de outono com o vento suave batendo no meu rosto. Bem sútil, nada grave. O chuvisco estava breve, não chegou a molhar as roupas. Foi ali... bem ali. Que a vi chorar. Que a vi observar a alma mais brilhante dentro dos seus olhos. Vi que a natureza era certa até nos piores momentos e que a escolha só podia ser de ninguém, a não ser minha. A vi, brilhando... Na imagem de onde seria o seu coração, vi uma luz. Brilhante e poderosa, mas ainda se conseguia olhar. Ouvi ali, que a moça pedia calma. Pedia para mim esforço e muita, mas muita fé. Pedia que eu buscasse ajudar mais as pessoas que amo, as pessoas que já me ajudaram e aqueles também que um dia me quiseram mal.  Não pude negar, que nos seus olhos havia algo familiar. Alg...

A rotina de um ansioso

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Tem dias que você acorda bem. Fica bem até chegar no trabalho, pois consegue tirar mais uma soneca no busão. Assim que chega, nem liga o computador e corre para pegar um café. No primeiro gole, queima a língua. Isso é o suficiente para acabar com seu "bom humor" matinal. Passa. Sobrevive. Liga o computador. Depois de 10 minutos, seu chefe lhe pede 500 coisas para fazer. Você inspira, procura organizar as coisas na cabeça, entra no Facebook, vê as notícias nos sites. Fica triste pela situação do mundo. Se desespera por não querer mais viver neste planeta. Procura uma música e acaba sempre nas mesmas por sugestão do Youtube. Passa. Vê os sites de entretenimento. Volta. Planeja, apesar da instabilidade dentro de você, tirar as coisas da cabeça e começar a trabalhar. Busca fontes, vê exemplos, se inspira. Têm ideias. Depois ouve comentários sobre notícias ruins, fica intolerante as diferenças. Volta. Se aborrece por estar ali. Queria estar numa praia. Sai para fumar. Fuma dois...