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Aniversário de sobriedade

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Viciada em paixões e ilusões. Encarar a vida sóbria e crua me fez ver as experiências e a mim mesma de maneira interessante. Não existe mais band-aid. Não existe mais como tapar o machucado. Existe a minha alma, machucada, faminta, indiscutivelmente ferida em diversos pontos. Ela estava exausta de fugir. De tampar os buracos e vazios com doses de álcool, a psicodelia, da erva, o encanto do desejo momentâneo. Hoje é meu aniversário de sobriedade. A ratazana foi queimada viva diante dos meus olhos. Aquele espírito obsessor que busca migalhas, que busca o podre, o farelo das emoções. Que é nojento! Esse asco que rondava a minha volta, e que eu mesma alimentava com minhas desculpas esfarrapadas. Uma pior que a outra. Tão burras que nem sei como acreditei nelas por tanto tempo. Na realidade, o fato é que nunca acreditei. Mas a dor era tanta que, ao encarar aquilo, senti um despertar de ódio contra tudo o que remetia a essa ratazana. Um musgo se formou após a limpeza no astral. Ele invadia a...

Não há tempo

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Estou esgotada do tempo. Do tempo que me leva, que não traz e que não aparece. Do momento não tido, da vida passada, do tempo não reparado. Da vida tão sem tempo. Dos horários marcados, da digital registrada, do banco de horas, da vida passada. Existe banco de horas para a vida? Existe banco de horas para viver? Quantas horas sobra para eu me ter? Estou apavorada com o tempo. De tudo que passou, das coisas que não vieram, das coisas que vieram até demais, do tempo corrente, das mudanças do tempo. Da vida sem tempo. Do tempo todo estar com mais medo. Do tempo todo exigir cada vez mais de mim e pouco do meu ser. Estou assustada com este novo tempo. Com pessoas preocupadas com tempo e eu contando o tempo. A vida depositada em 24 horas para durar. Em semanas para aproveitar, em meses para descansar e anos para sonhar. Não há tempo! Não há horas para durar, nem semanas para aproveitar, muito menos meses para descansar e anos para sonhar. A vida é um susto. O tempo é amargo. Não há tempo...

"São tempos difíceis para os sonhadores."

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Sonhar faz parte de um processo de luta constante. Infelizmente o outro lado as vezes ganha. O lado que desmorona toda a sua capacidade de manter-se. Mante-ser sonhador e capaz. Aquela coisa de acordar diariamente pensando nas coisas boas, no futuro bom e nas boas ações, por exemplo. Aquela coisa de acreditar! Talvez esta minha história de muro seja só uma coisa fantasiosa da minha mente. Porque tudo ao meu redor me afeta... E muito! Já passei por algumas coisas, que antes me afetavam mais, agora me afetam menos ou não afetam nada. Contudo, parece que a vida dá um jeito de arranjar outra maneira de me cutucar. Essa tal "capacidade". O cansaço, o jeito que levamos a vida, as coisas erradas que acontecem. E quanto mais lemos, mais aprendemos, mais vivemos... parece que tudo deixa de parecer luminoso... parece que deixamos de ser humanos. De ser emocionais. Tudo começa a ser real demais. Dolorido até! Mas aquele dolorido que você acaba se acostumando. A realidade é uma bebida...

Tempos de mágoas...

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Sinto que o tempo está perdido. Me sinto perdida no tempo. E a única certeza é o nada e o fim. É incrível como a história tende a se repetir. Mas enfim, o que passou será lição (ou não) novamente para mim. É real que a cada tempo as pessoas se magoam mais. E a mágoa toda, só cresce e nos afasta. O tempo todo seria remédio, mas a mágoa e orgulho estão tão firmemente juntos, puf. Eu olho tudo o que passei e a minha mente apertou o “DELETE”. O que eu sei é que nada daquilo deve ser bom (pelo que sofri). Contudo, a teimosia e essa inquietação me infiltram novamente no caminho cheio de espinhos e mais mágoas. O tempo todo que vivemos, vivemos com mágoas... com chateações. E nada importa o que será feito, ou dito. O que importa é que estamos seguros em nos chatear e nos magoar cada vez mais. A questão toda, acredito, é o medo de ser feliz e aceitar a felicidade “para a vida toda”. (O que na minha opinião humilde seria quase uma missão impossível). Tudo não passa de ...