Aniversário de sobriedade
Viciada em paixões e ilusões. Encarar a vida sóbria e crua me fez ver as experiências e a mim mesma de maneira interessante. Não existe mais band-aid. Não existe mais como tapar o machucado. Existe a minha alma, machucada, faminta, indiscutivelmente ferida em diversos pontos. Ela estava exausta de fugir. De tampar os buracos e vazios com doses de álcool, a psicodelia, da erva, o encanto do desejo momentâneo. Hoje é meu aniversário de sobriedade. A ratazana foi queimada viva diante dos meus olhos. Aquele espírito obsessor que busca migalhas, que busca o podre, o farelo das emoções. Que é nojento! Esse asco que rondava a minha volta, e que eu mesma alimentava com minhas desculpas esfarrapadas. Uma pior que a outra. Tão burras que nem sei como acreditei nelas por tanto tempo. Na realidade, o fato é que nunca acreditei. Mas a dor era tanta que, ao encarar aquilo, senti um despertar de ódio contra tudo o que remetia a essa ratazana. Um musgo se formou após a limpeza no astral. Ele invadia a...