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A fé está na estante

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Maremoto de emoções. Ondas gigantes quebrando sob um céu cinza de tempestade, repleto de trovões que ecoam dentro de mim. Poderia acolher essas nuvens como parte do meu ser — pensamentos caóticos, disrupções sociais mal resolvidas. Mas por quê? Por que deveria acreditar nisso? Por que deveria me importar? No reflexo do espelho, vejo uma caça. Há algo feroz no fundo dos meus olhos, uma tormenta prestes a explodir. O tsunami me roubou o fôlego antes que eu pudesse compreender. Quanto tempo faz que não amo? Quanto tempo faz que não sinto? Onde se perdeu essa parte de mim? Tornei-me o poço vazio que tanto temia? Nada mais existe aqui dentro? O vazio voltou. Imenso, opressor. Um soco no estômago, trazendo perguntas que me invadem sem permissão. Sobre a vida. Sobre minha insignificância, minha arrogância disfarçada de autocontrole. O medo escondido atrás de cada resposta que finjo encontrar. Eu gostaria de mais uma dose, por favor. Só mais um golpe na autoestima, só mais um passo rumo à des...

Fantasia e delírio

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Fumei todos os meus cigarros hoje. Vinte para cada não que recebi de você. Foram mais, aposto. Mas foram todos como um pedaço de brasa queimada. De tortura para o pulmão. Mas a gente vê que as entranhas de meu nariz entram cada vez mais ar.  Sou esse gelo disfarçado. Sigo o tempo. Quando ele esfria, esfrio junto. Quando ele esquenta, sou fogo natural. E o seu fogo me dava vida até no inverno. Me dava ansia de ser, de fazer, de viver. Diferente. Aquilo que a paixão vinda não pede para ficar. Ela só vem e passa. E o vício não passou. Talvez o meu diagnostico seja contemplar algo que nunca será. E a falta de controle me fascina, me tira do eixo. Me faz querer mais e mais. Pois, é disso que se trata toda essa dualidade, né!? Brincar na ilusão e na realidade. Mas brincar com sentimento é muito arriscado. Eu perdi. Me perdi neste jogo. Me perdi em querer. Me perdi de tudo que considerava ser meu. Perdi tudo que me segurava, pois era ali, juntos que crua carcaça nunca existiu. Que era aqu...

The sweet is never as sweet without the sour

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Eu provei do amargo. De todos os tipos. Ainda provo todos os dias. Mas parece que a cada tempo aparece um novo tipo de amargo mais destruidor e viciante. É possível dizer isso? Estar viciado num círculo de amarguras e incertezas (que no final viram certezas)? É possível dizer que eu luto para ter novamente o doce, mas parece que o amargo não sai dentro de mim? Pode-se dizer que todas as vezes é como um abismo? Que as lutas diárias são motivos para continuar novamente na ponta desta queda? Deste alto prédio onde decido pular todas as vezes que estou prestes a ser salva. Mas por que? Por que sinto a necessidade de construir um mundo de pensamentos e determinados "Fim" dentro de mim? A minha alma parece tão fraca. E é completamente estranho falar de alma. O que é, afinal, a alma? Será que tudo isso é pela minha falta de fé? Em mim? Em Deus, nas pessoas? É tão estranho; eu fugi tanto de complicações e elas apareceram. Umas por minha culpa. Mas o sentimento do amargo parece que m...