Postagens

Mostrando postagens com o rótulo desconhecido

Capítulo 55: Renascimento no Caos

Imagem
No que me transformei? O que escolhi? Escolhi não ver, escolhi me esconder. Me esconder de mim mesma, fingir saber, fingir que não tinha condições suficientes. Me importar além do que deveria com coisas que não mereciam tanta atenção e ver a realidade dolorosa de uma criança gritando em pânico, de uma adolescente apavorada com o futuro, e de uma adulta cheia de certezas e soberba. Segurando tudo sozinha, porque algumas dores simplesmente não têm explicação. E, mesmo que eu, como escritora, pudesse sintetizar os movimentos da consciência, falar sobre os sentimentos sempre foi algo mais complexo. O grande Saturno retornou à minha vida agora. Sem dó, sem piedade. E me trouxe as consequências de todas as minhas ações: a falta de responsabilidade, de compromisso comigo mesma, a falta de sabedoria para lidar com a dor. Convivi tanto com ela que se tornou minha amiga, minha parceira. Encontrei um jeito fascinante de justificá-la, de torná-la a dominadora das minhas atitudes e ações. Dei a ela...

Cartas de amor para um desconhecido

Imagem
Quando eu me declarava romântica, era normal fazer várias cartinhas de amor para o namoradinho do colégio. Era normal escrever o nome da pessoa no caderno rodeados de corações. Era lindo receber uma declaração em público, mesmo que aquilo me aniquilasse de vergonha. Era fácil entender um amor platônico e era aceitável desejá-lo. Era precioso o tempo da intensidade que vivia... podia ser um mês, uma semana, um dia, um minuto. Aquilo tudo era o que preenchia meu coração de esperança de um amor. Hoje escrever cartas é ultrapassado. É brega. E o ego e a vergonha do sofrimento me cobriu tanto que demonstrações de amor me dão ânsia de vômito. Não tenho paciência. E o niilismo falso impregnado pela minha razão está fora do controle. Ele me corrói tanto quanto a tragada do cigarro que me mata a cada dia. Destrói a minha esperança, o meu amor próprio.  - Mas óh desconhecido... quando apareceras para me dizer que estou errada? O que mudou?! Além do medo do desconhecido e do tão próximo...