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Mostrando postagens com o rótulo doce e amargo

A bobagem de amar

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O que poderia ser mais idealista? Cheia de sonhos de você — mexida até a sola do pé pela sua presença, pelo seu cheiro, pelo seu carisma. Rodeada por um sonho platônico de retomada, de paixão, de amor à flor da pele. Cercada pela sua sombra e pela sua luz, coberta por motivos que não têm razão. Talvez esse seja meu pecado: não ter, de início, a sabedoria para lidar com o amor. Mas o amor é assim — meio sem sentido — quando o olhamos além do nosso ego e das feridas magoadas do passado. Será que eu poderia voltar a amar sem as marcas da alma? Será que você poderia não vê-las como tudo o que sou? Será que você conseguiria acolher essas dores que não são sobre você — são sobre o mundo, sobre a vida, sobre o fato de que as coisas, quase sempre, não são como queremos? E eu queria tanto você. Impregnado em mim, na sua perturbação completa, no seu olhar cansado de ver a vida — mas com o carinho de quem ainda acredita. Acredita no bem, na fé, nesse sentimento tão sem sentido e, ainda as...

Flor de Lótus

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Tomei um banho gelado, mas não senti. Meu corpo fervia dentro de mim. Ele queria sair, e de alguma forma saiu. O fogo me queimava dentro e eu não sabia como não o ter. Tirei todos os meus pelos, para parecer menos selvagem. Tirei toda a minha falsa modéstia, para parecer segura. Mas de fato, o que há dentro nunca se sabe e vai de fato poder controlar. Talvez este seja o verdadeiro problema... O controle. A ilusão da perda. Da matéria, da vida. E de fato, nem é um problema é apenas uma passagem... Distinta e frágil. Onde se parece forte mas por dentro está em cacos quebrados, unidos com uma cola fina de esperança. Porque é tudo parte do drama e parte da jornada misteriosa da vida. Fiquei em silêncio absoluto e só ouvi a mim mesma. E todo o poder que eu havia descoberto era muito maior do que eu imaginava. Uma força tão avalassadora que eu compreendi o meu lugar. Compreendi o anseio e o medo deles, e também o porque havia sido subestimada. Que caos interessante de ver. São camadas profun...

No casulo das emoções

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Estou neste casulo minúsculo. Presa a uma fantasia milagrosa, num espaço oco, pequeno e superficial. Tão fino quanto uma folha de papel. Meu movimento não é sagaz, nem disruptivo... é mais do mesmo. É uma repetição de conjuntos infelizes e sem significado algum. E o que sempre me matou foi não ter sentido ou propósito. A realidade foi ver o que existia dentro de fato deste casulo. Nada mais que peças sem conjuntos, sem complemento. Seria como um lego que não se encaixa em mais nenhuma parte. E eles tão jogados no chão, com suas disparidades que não grudam em nada. Não servem para nada além de ocuparem esse espaço pequeno e machucarem os pés. Tão trucidante quanto pisar em cascas de ovos quebrados. Em vidros dilacerados pela raiva. Me fragmentei em pequenos pedaços de nada. De nada me serve a ansia, de nada me serve o conhecimento, de nada me serve a máscara que usei. Tudo está no caos. Quebrado e disparado como um cristal sem recuperação. A borbuleta saiu do casulo e morreu. Morreu em ...

Marmita estragada

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Te conhecer foi a dose necessária de respiro. Aquilo que eu estava precisando para me ver melhor... me ver atenta, me ver quente e de novo a sentir coisas que não sentia mais. Te ver foi uma escolha do acaso, ao qual nunca existiu, de fato, acaso nenhum. A carne trêmula, o respeiro ofegante, o cheiro, o corpo, tudo me aproxima a você. Sua cara de marra, sua sagacidade, suas palhaçadas, seus gostos, até a sua falta de inocência... Isso tudo me fazia voltar. Isso tudo cabia a mim um mistério dos céus, ao voltar sentir o mais sentimento vivo da paixão. Que pulsa, que dói e também morde as beiradas deixadas. Tanto que fizemos aqui em casa só nós dois... que causou todo o resto. A partilha diminui, a vontade da sua parte também. E me dói saber que nem ao toque dos beijos eu poderia ter mais... Que ali cabia apenas meu corpo e nada mais. Que os bons momentos eram para manter uma forma persuasiva de continuar a me traçar. A me condicionar a algo que só houve na minha cabeça, que só existiu de...

Olhando o mar

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Ô mar que trouxe o amor para mim Há de vê-lo longe por mais tempo O dia se pôs e eu perdi o jeito Como um menino de frente pro medo Mas empolgado com o receio Ô mar que trouxe o calor pra mim Eis me fechada, parada no cais Esperando a onda encher meus ases Eis a terra firme para me subjugar incapaz Ó mar por que fazes assim? Tão singela e tão simples Me faz erguer sobre mim E eu me perder em ti Ó mar o meu desejo que o vento ouviu Trouxe de volta a promessa pra Senhor do Bonfim Recolocou no eixo o navio a afundar Mas nos mares distantes só o prazer encontrar Ô mar me fez sentir o fogo Das lenhas antes umedecidas, molhadas pelas águas dos céus E o vento secou e aflorou o ar deste calor Vindo de mim e de você Num infinito presente do estar no agora Apenas saboreando Essa deliciosa poesia de ser Ô mar... Tira esse amor de mim Não é ele quem me deu Não devo mais sentir o seu cheiro Pois o começo já teve um fim Ô mar, será que posso amar? Me diga se mere...

Perfeita e imperfeita ordem

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Há dias que queria o mundo Outros que queria só um pouco Aquele velho disco Aquele mar indo e vindo Há dias que queria mais O suor da dança A cadeira de praia que balança E os detalhes infinitos do seu cais Há dias que queria a paz Fui procurar no amor Que nele não tinha tremor Então vi que não era capaz Há dias que pude ter aquilo tudo E com receio do custo Do medo da dor e do percurso Fiz promessa pro absurdo Há dias que sonhei em ter E vi que não era aqui A ansia do meu ser Há dias que busquei a paz Mas na verdade ela não era algo que vinha de trás Há dias que tenho coragem Escrevi nos cadernos a necessidade Tentei mudar a minha abordagem Mas ai, então, vi que já era tarde Há dias que sonho com a mais plena luz Alegre de permitir, de manter, de aceitar Agradecer a cada minuto que me conduz Há dias que sonho com as sombras E nelas encontro ainda mais sobre ser Ainda mais sobre rec...

The sweet is never as sweet without the sour

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Eu provei do amargo. De todos os tipos. Ainda provo todos os dias. Mas parece que a cada tempo aparece um novo tipo de amargo mais destruidor e viciante. É possível dizer isso? Estar viciado num círculo de amarguras e incertezas (que no final viram certezas)? É possível dizer que eu luto para ter novamente o doce, mas parece que o amargo não sai dentro de mim? Pode-se dizer que todas as vezes é como um abismo? Que as lutas diárias são motivos para continuar novamente na ponta desta queda? Deste alto prédio onde decido pular todas as vezes que estou prestes a ser salva. Mas por que? Por que sinto a necessidade de construir um mundo de pensamentos e determinados "Fim" dentro de mim? A minha alma parece tão fraca. E é completamente estranho falar de alma. O que é, afinal, a alma? Será que tudo isso é pela minha falta de fé? Em mim? Em Deus, nas pessoas? É tão estranho; eu fugi tanto de complicações e elas apareceram. Umas por minha culpa. Mas o sentimento do amargo parece que m...