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A combustão do não-ser

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  Tenho estado em ebulição, uma urgência latejante com a vida. Sem rimas, sem lirismo. A parte que me coube foi suportar o insuportável, porque talvez a anestesia da calma seja um tédio ainda maior. E se algo me fosse cobrado, pagaria noutra existência—devedora de normas, refém de condutas. Cansei de ser escolhida pelos olhos alheios, de ser medida, validada, selada como pertencente. Mas a que preço? Um eco eterno dentro de mim. Olhei para a lua rubra e ela fervia como meu sangue. Então ardi, incendiei-me como o próprio sol. Dissociei. Rasguei os protocolos da conduta. Não quero mais caber. Não quero mais moldar, superar, ajustar-me ao encaixe ilusório de uma melhora perpétua. Abandonei os dogmas modernos da existência e encontrei apenas cacos—tão distantes da projeção que fazem de mim. Despedaçada, incômoda, intragável. Uma dissidência ambulante, mal-amada por princípio. Talvez o amor seja só uma miragem, e aceito esse incêndio interno porque prefiro a combustão à enfermidade. A d...

Fantasia e delírio

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Fumei todos os meus cigarros hoje. Vinte para cada não que recebi de você. Foram mais, aposto. Mas foram todos como um pedaço de brasa queimada. De tortura para o pulmão. Mas a gente vê que as entranhas de meu nariz entram cada vez mais ar.  Sou esse gelo disfarçado. Sigo o tempo. Quando ele esfria, esfrio junto. Quando ele esquenta, sou fogo natural. E o seu fogo me dava vida até no inverno. Me dava ansia de ser, de fazer, de viver. Diferente. Aquilo que a paixão vinda não pede para ficar. Ela só vem e passa. E o vício não passou. Talvez o meu diagnostico seja contemplar algo que nunca será. E a falta de controle me fascina, me tira do eixo. Me faz querer mais e mais. Pois, é disso que se trata toda essa dualidade, né!? Brincar na ilusão e na realidade. Mas brincar com sentimento é muito arriscado. Eu perdi. Me perdi neste jogo. Me perdi em querer. Me perdi de tudo que considerava ser meu. Perdi tudo que me segurava, pois era ali, juntos que crua carcaça nunca existiu. Que era aqu...

Universo

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Ao benefício próprio brindar A falsa paz ideológica dizer buscar Fico a procura do equilíbrio, aprenda Para que minha consciência não se dissena Os prédios em construções mais largas Evoluem em mim a dor da dispensa A dor do século é amarga Como uma perda de uma pessoa amada O medo a cada instante me corrói Lisérgico, amargo e controverso Dentro do mundo, me vejo disperso Sem entender o que é de fato o certo Posso dizer o que o meu coração reclama Mas a vida aqui na terra parece ser tão plana Momentos a mais que geram a discórdia Como a fuga diária que não me concórdia Estou aqui querendo sair  Para qualquer lugar que sinta o existir Não é por ser ou querer ou ver E sim por evoluir, construir e crescer Jamais verás as luzes do escuro Saiba se proteger da maldade do mundo O ser que vampiriza seu poder Em busca apenas de ver o amor morrer Queira o bem apesar dos poréns Aqui não há espaço para reféns Não há vitima e sim...