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Mergulhe

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A gente fica aqui tentando sentir algo para poder viver, e não apenas passar pela vida em branco com marcas que nunca existiram. Parece que nunca é o bastante. Nunca passa de um raso sentimento de próspera esperança de sentir e de amar. Chega a ser sufocante este fundo que me enfiei. Mergulhada em diversas expectativas, mas elas não podem ultrapassar a vontade. Elas não podem me ultrapassar na razão, que é rasa e que não preenche. Eis a fase do equilíbrio.  Viver custa caro! Viver e mergulhar me tira o ar porque foi assim que decidi viver. Porque não sentir é como não viver. Você não consegue dimensionar fora deste peito que bate apertado na ânsia de não parar. Mas ficamos aqui, meros acasos fechados em cercos racionais totalmente fora de padrões porque foi assim que deveria ser... ou não. Tanto faz. Se 'não sentir' é padrão ou não, para mim nunca foi normal não viver. Não ter diversas sensações e intuições gritando ao meu ouvido e mente. E por que não sentir? Porque dá trabalh...

Cartas de amor para um desconhecido

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Quando eu me declarava romântica, era normal fazer várias cartinhas de amor para o namoradinho do colégio. Era normal escrever o nome da pessoa no caderno rodeados de corações. Era lindo receber uma declaração em público, mesmo que aquilo me aniquilasse de vergonha. Era fácil entender um amor platônico e era aceitável desejá-lo. Era precioso o tempo da intensidade que vivia... podia ser um mês, uma semana, um dia, um minuto. Aquilo tudo era o que preenchia meu coração de esperança de um amor. Hoje escrever cartas é ultrapassado. É brega. E o ego e a vergonha do sofrimento me cobriu tanto que demonstrações de amor me dão ânsia de vômito. Não tenho paciência. E o niilismo falso impregnado pela minha razão está fora do controle. Ele me corrói tanto quanto a tragada do cigarro que me mata a cada dia. Destrói a minha esperança, o meu amor próprio.  - Mas óh desconhecido... quando apareceras para me dizer que estou errada? O que mudou?! Além do medo do desconhecido e do tão próximo...